segunda-feira, 7 de abril de 2008

Não Vale Nada - Velhas Virgens


Não Vale Nada - Velhas Virgens



Hoje eu encontrei

Um velho retrato seu

Por onde andarão os olhos

Que uns dias foram meus



A rua sem você

Vazia é quase nada

Escura suja e triste

Recordação maltratada



Bêbado, rouco e louco

Eu danço entre os carros

Na marginal congestionada

Grito blasfemo

Paixão e ódio

Mágoa despeito

Uma mulher não vale nada



E os dias passam sedentos

Nessa imensa mesa de bar

Copos vazios

Que brindam saúde

A quem não me quer mais

Não me quer mais



*“Toma um fósforo

Acende teu cigarro!

O beijo, amigo,

É a véspera do escarro

A mão que te afaga

É a mesma que te apedreja

Se alguém causa ainda pena a tua chaga

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra na boca que te beija!”



*Versos Íntimos

Augusto dos Anjos (1884/1914)

Versos Íntimos - Augusto dos Anjos


Versos Íntimos -
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!