segunda-feira, 7 de abril de 2008

Não Vale Nada - Velhas Virgens


Não Vale Nada - Velhas Virgens



Hoje eu encontrei

Um velho retrato seu

Por onde andarão os olhos

Que uns dias foram meus



A rua sem você

Vazia é quase nada

Escura suja e triste

Recordação maltratada



Bêbado, rouco e louco

Eu danço entre os carros

Na marginal congestionada

Grito blasfemo

Paixão e ódio

Mágoa despeito

Uma mulher não vale nada



E os dias passam sedentos

Nessa imensa mesa de bar

Copos vazios

Que brindam saúde

A quem não me quer mais

Não me quer mais



*“Toma um fósforo

Acende teu cigarro!

O beijo, amigo,

É a véspera do escarro

A mão que te afaga

É a mesma que te apedreja

Se alguém causa ainda pena a tua chaga

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra na boca que te beija!”



*Versos Íntimos

Augusto dos Anjos (1884/1914)

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